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Escrito em 15 set 2011, por Teatro Saladistar e rotulado no(s) ambiente(s) Além da sala, Divulgação, Na sala.

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Amanda Maia fala sobre Vestir os Nus, Isis Barreto, orientação e conversa de bar para expandir o universo do diretor teatral

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Estreia hoje, com entrada franca às 20h00, no Teatro Martim Gonçalves, o espetáculo Vestir os Nus, com direção de Isis Barreto e adaptação do texto de Luigi Pirandello realizada por Hayaldo Copque. O espetáculo fará curta temporada, de 15 a 25 de Setembro. O cenário é assinado por Rodrigo Frota, confrade fundador do Teatro Saladistar.

Isis Barreto escolheu a encenadora Amanda Maia, diretora artística do Teatro Saladistar, pela segunda fez como sua orientadora. A primeira parceria das duas se deu em Valsa n° 6, de Nelson Rodrigues, na ocasião da pré-formatura da aluna-diretora. No entanto, Isis e Amanda já se encontraram outras vezes. Quando ainda era aluna da graduação na Escola de Teatro, Amanda foi a convidada de Isis em um evento que promoveu quando era coordenadora do Projeto Ato de 4. Na ocasião, nossa diretora artística respondeu a uma série de perguntas dos alunos sobre o processo artístico de Salomé, de Oscar Wilde. Anos mais tarde, as duas voltaram a se encontrar. Dessa vez Isis foi aluna de Amanda nas disciplinas Teorias do Teatro e Evolução do Espetáculo.

O site Ratoeira Cênica publicou matéria sobre a estreia da peça, e a redatora-chefe Enoe Lopes Pontes, realizou com Amanda uma entrevista que permaneceu inédita. Até agora. Vestir os Nus (2) - Cópia

ENOE LOPES PONTES – Qual é a sua opinião sobre a o texto?

AMANDA MAIA - O que mais me fascina em Vestir os Nus são as sutilezas da história. Quando você lê a primeira vez, entende que se trata de um mundo de ficção pra apontar o dedo na cara da realidade, todos os personagens são verdadeiras aves de rapina, estão sempre no limite, sempre ambicionando alguma coisa. Mas, acima de tudo, fica-se com a estranha sensação de que se riu do que não devia. Em uma narrativa cheia de personagens-tipo, há frases verdadeiramente perfuro-cortantes, que se fincam na alma de quem ouve. A que mais gosto sai da boca do ex-tenente Franco Laspiga para Ercília Drei. “Por que você tem essa volúpia de se machucar?” Definitivamente essa é uma frase que fica na cabeça.

ELP – Como se deu o processo de orientação?

AM – Essa é a segunda vez que faço a orientação de Isis, além de ter sido sua professora na graduação, então já nos conhecemos bem. A primeira vez foi com Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues, no semestre anterior a este, a pré-formatura. Naquele ponto havia uma necessidade maior de uma condução mais aproximada. Agora acredito que o papel do orientador se manifeste verdadeiramente. O diretor tem, e precisa ter, a absoluta autonomia ao pensar a cena. Precisa perceber a melhor estratégia para que seu intento tenha êxito, em todos os campos, com o elenco, com a equipe técnica, com os co-criadores. O orientador precisa atuar como um conselheiro, como um olho a mais, observando de uma perspectiva mais distanciada do processo criativo e pontuando questões. Não costumo discutir aquilo que o diretor faz, espero apenas contribuir para a coerência entre seus desejos e sua realização final. Funcionou bem comigo quando fui aluna-diretora. Procuro então repetir as boas experiências. Isis é muito verdadeira, muito sincera mesmo quanto ao que quer, tem a cabeça dura e a determinação típicas dos capricornianos. Então, sei que posso dizer tudo aquilo que penso, pois ela filtrará e usará com sabedoria a orientação. Uma conversa no barzinho depois de um exaustivo período de ensaio pode ser muito proveitosa. O universo do diretor precisa estar sempre em expansão.

ELP – Quais são suas expectativas para o resultado?

AM – Olha, ao julgar pela dedicação do elenco, a afinação da equipe técnica e pelo tão bem estruturado cronograma, diria que está tudo muito correto pra acontecer da melhor forma possível. Mesmo do furacão da estreia, do cruel rito de passagem que é a formatura, do desafio de dirigir tantos personagens, vejo que Isis está satisfeita com o resultado. E isso é um dos pontos mais positivos. Não acredito que o melodrama da cena precise invadir a vida real. Creio no prazer como princípio. E ela está feliz. Isso é o que importa. Gosto do resultado da encenação, acho bem urdida. Agora o público completará o fenômeno e veremos o que acontece.

ELP – O que destacaria na peça como elementos chave da encenação?

AM – Acho importante que Ísis tenha se permitido caminhar naquilo que tem de melhor e que lhe dá prazer, que são os aspectos visuais da cena. Vejo uma maturação da aluna que acompanhei ao longo da graduação. Nessa peça, todas as suas escolhas são conscientes, a condução do elenco e a abordagem da personagem principal também demonstram coerência cênica. Então, pra mim, esse é um dos destaques da encenação: uma diretora que sabe usar a linguagem que escolheu para se expressar artisticamente. Destaco também a adaptação de Hayaldo Copque, que soube ressaltar os aspectos mais relevantes da obra de Pirandello, e o cenário de Rodrigo Frota, que deu toda uma imprescindível camada de significado à encenação.

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Na foto, as três faces de Ercília Drei, interpretadas pelas atrizes Alessandra Sena, Larissa Raton e Vera Pessoa.

Para conferir a matéria do Ratoeira Cênica e saber mais sobre o espetáculo, este é o link: http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/noticias/vestir-os-nus-espetaculo-de-formatura-de-isis-barreto-estreia-hoje-no-tmg

E aqui você assiste ao teaser do espetáculo:

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2 comentário

  1. IsisNo Gravatar
    16 de setembro de 2011

    Mais uma parceria que deu certo. beijo e obrigada Amanda Maia.

  2. [...] Pra saber mais sobre isso, há essa entrevista publicada no blog do Teatro Saladistar: http://www.teatrosaladistar.com/afago/blog/amanda-maia-fala-sobre-vestir-os-nus-isis-barreto-orienta… [...]

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